Cientistas refor?am possibilidade de transmiss?o da Covid-19 pelo ar

Em carta aberta, 239 pesquisadores v?o cobrar mudan?a nas recomenda??es da Organiza??o Mundial da Saúde
Visitante usa uma máscara com desenho do Mickey na reabertura da Disneyland de Tóquio Foto: ISSEI KATO / REUTERS
Visitante usa uma máscara com desenho do Mickey na reabertura da Disneyland de Tóquio Foto: ISSEI KATO / REUTERS

RIO – Cerca de 240 especialistas de 32 países assinaram uma carta aberta e que será veiculada na revista americana Clinical Infectious Diseases, na semana que vem, afirmando que há evidências de que o novo coronavírus, mesmo em partículas menores, está no ar e pode infectar as pessoas. Eles pedem que a Organiza??o Mundial da Saúde (OMS) revise as recomenda??es sobre contamina??o, segundo publica??o no jornal The New York Times, deste sábado.

Leia: Conhe?a a síndrome pós-Covid, que pode atingir pacientes recuperados do coronavírus

Na atualiza??o mais recente lan?ada sobre a doen?a, no dia 29 de junho, a OMS,  afirmou que o novo coronavírus se espalha principalmente de pessoa para pessoa por meio de pequenas gotas expelidas pelo nariz ou boca, após tosse, espirro ou simplesmente uma fala.

Entenda:Testes rápidos de anticorpos n?o têm garantia de precis?o, afirmam estudos

Em entrevista ao jornal New York Times, cientistas e consultores da OMS disseram que a OMS, apesar das boas inten??es, está fora de sintonia com a ciência e que, principalmente, seu comitê de preven??o e controle de infec??es é lento na atualiza??o de orienta??es e está vinculado a uma vis?o rígida e excessivamente médica das evidências científicas.

Veja:Novo coronavírus já estava no esgoto de Santa Catarina em novembro

A matéria afirma que o novo coronavírus está encontrando novas vítimas em todo o mundo, em bares e restaurantes, escritórios, mercados e cassinos, dando origem a focos de infec??o que confirmam cada vez mais o que muitos cientistas vêm dizendo há meses: o vírus permanece no ar em ambientes fechados, infectando aqueles nas proximidades.

Se a transmiss?o aérea for um fator significativo na pandemia, especialmente em locais com pouca ventila??o, as conseqüências para a conten??o ser?o significativas. Máscaras podem ser necessárias em ambientes fechados, mesmo quando há distanciamento social. Os profissionais de saúde podem precisar de máscaras N95 que filtram até as menores gotículas respiratórias enquanto cuidam de pacientes com coronavírus.

Os sistemas de ventila??o nas escolas, lares de idosos, residências e empresas podem precisar minimizar o ar de recircula??o e adicionar novos e poderosos filtros. Podem ser necessárias luzes ultravioletas para matar partículas virais flutuando em pequenas gotas dentro de casa.

– Eles v?o morrer defendendo sua opini?o – disse um funcionário veterano da OMS, que n?o quis se identificar.

Benedetta Allegranzi, líder técnica da Organiza??o das Na??es Unidas para o Controle de Infec??es, disse que as evidências do vírus espalhado pelo ar n?o s?o convincentes

– Especialmente nos últimos dois meses, temos declarado várias vezes que consideramos a transmiss?o aérea possível, mas certamente n?o suportada por evidências sólidas ou até claras. Há um forte debate sobre isso.

Mary-Louise McLaws, membro do comitê e epidemiologista da Universidade de New South Wales, em Sydney, disse que ficava frustrada com as quest?es do fluxo de ar e do tamanho das partículas, em especial.

– Se come?ássemos a revisitar o fluxo de ar, teríamos que estar preparados para mudar muito do que fazemos – disse ela. – Acho que é uma boa ideia, muito boa, mas causará um tremor enorme na sociedade de controle de infec??es.

No início de abril, um grupo de 36 especialistas em qualidade do ar e aerossóis pediu à OMS para considerar a crescente evidência de transmiss?o aérea do novo coronavírus. A agência respondeu de imediato, fazendo contato com Lidia Morawska, a líder do grupo e uma antiga consultora da OMS, para marcar  uma reuni?o.

Mas,  a discuss?o acabou dominada por alguns especialistas que s?o fortes defensores da lavagem das m?os e, de acordo com alguns participantes na reuni?o, os conselhos do comité permaneceram inalterados.

– Sabemos desde 1946 que tossir e falar geram aerossóis –  disse Linsey Marr, especialista em transmiss?o aérea de vírus da Virginia Tech. – Os cientistas n?o conseguiram fazer crescer o coronavírus a partir de aerossóis no laboratório, mas isso n?o significa que eles n?o sejam infecciosos – explicou Marr, referindo que "a maioria das amostras dessas experiências foi feita em hospitais com bom fluxo de ar, o que diluiria os níveis virais", lembrando que na maioria dos edifícios "a taxa de troca de ar é geralmente muito menor, permitindo que o vírus se acumule no ar e represente um risco maior.

Trish Greenhalgh, médica de cuidados primários da Universidade de Oxford, na Gr?-Bretanha, faz um alerta:

– N?o há provas irrefutáveis de que o SARS-CoV-2 viaja ou é transmitido significativamente por aerossóis, mas n?o há absolutamente nenhuma evidência de que n?o seja.

116美女写真