Em depoimento, Lazaroni lembra derrota na Copa-1990: 'Carreguei um fardo muito pesado'

Três décadas depois, técnico do Brasil no Mundial da Itália fala do jogo contra Argentina e da campanha que marcou gera??o
O ex-técnico da sele??o brasileira Sebasti?o Lazaroni, em 2014 Foto: Marcelo Theobald 15-8-2014
O ex-técnico da sele??o brasileira Sebasti?o Lazaroni, em 2014 Foto: Marcelo Theobald 15-8-2014

Na quarta-feira passada (24), a derrota do Brasil para a Argentina por 1 a 0 na Copa do Mundo de 1990, na Itália, completou 30 anos. A elimina??o nas oitavas de final ainda é um fantasma que ronda Sebasti?o Lazaroni, treinador da sele??o no torneio. Em depoimento ao GLOBO, ele conta como é carregar essa marca por três décadas:

"Relembrar os 30 anos daquela elimina??o para a Argentina traz uma ponta de tristeza. Jogamos melhor, criamos mais e perdemos na atua??o daquela máxima do futebol: quem n?o faz, leva. Incomoda mais pelo fato de, na Copa América do ano anterior, termos conseguido superá-los, o que n?o se repetiu naquele dia, muito pela ausência de pe?as importantes. Fica o gosto um pouco amargo de um trabalho que abrangia o título continental, vencido dentro do Maracan? depois de 40 anos, toda a prepara??o para o Mundial, mas que n?o foi alcan?ado em sua totalidade. Hoje, anos depois, é muito fácil apontar o que poderia ou n?o ter feito. No entanto, acho que, depois de o Branco me revelar que estava um pouco “aéreo”, o que viemos a saber anos depois ser por decorrência de uma água ‘batizada’ cedida pelo massagista da Argentina, eu poderia substituí-lo pelo Mazinho.

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Ao final, com elimina??o, vem a necessidade de apontar o culpado, o responsável ou os responsáveis, acredito que seja um dos fatores do insucesso ter recaído sobre mim. Por mais que tenha existido a ‘Era Dunga’, ele foi capit?o do tetra quatro anos depois, junto com outros que estavam naquele elenco na Itália. Foram, talvez, perdoados por terem alcan?ado o objetivo posteriormente. Fiz parte de uma transi??o de gera??es: dos times brilhantes dos anos 1980 para os vencedores de 94 e finalistas de 98.

Durante o Mundial, n?o ficou acertado, em momento algum, a premia??o dos componentes. Acabou que saímos da Copa, isso n?o foi acertado e ninguém nunca viu a cor desse dinheiro. Podem até julgar como aspecto meramente econ?mico, mas todos ali eram profissionais. é o ganha p?o de cada um.

Maradona consola Careca após vitória dos argentinos sobre o Brasil Foto: Custódio Coimbra/24-6-1990
Maradona consola Careca após vitória dos argentinos sobre o Brasil Foto: Custódio Coimbra/24-6-1990

Estaria mentindo, se dissesse que aquela elimina??o n?o marcou minha carreira. As pessoas, a própria mídia s?o muito cruéis em alguns pontos. Basta lembrar o que foi a vida do Barbosa pós-Copa de 1950. Eu carreguei, no mínimo, por uns 10 anos, um fardo muito pesado. Mesmo fora do Brasil, treinando no México, recebia notícias de que ainda me criticavam: ‘P?, est?o falando mal de você para caramba!’, me passavam. Eu digo que ser treinador é igual aquela modalidade da vela (Classe Laser) em que você está sozinho naquele barquinho e o vento bate na sua vela e vai te levando na dire??o que ele deseja e o que n?o faltam s?o pessoas que digam que você deveria ter tomado esse ou aquele outro caminho em vez do que você tomou. N?o é fácil.

Ainda sim, sou um otimista. Sempre fui. Agrade?o constantemente por tudo que consegui e me foi proporcionado na vida. N?o tenho rancor, raiva, nem nada disso. O que passou, passou. é para frente que se anda."

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