Mauricio Branco escreve autobiografia em que relata Rio dos anos 1980 e amizade com Renato Russo: 'Foi um visionário'

Ator lembra paix?o por Betty Faria e fala sobre sexualidade: 'Namoro tudo, até parede. Digo que sou pansexual, que nem o Serguei'
Maurício Branco Foto: Ivan Shupikov
Maurício Branco Foto: Ivan Shupikov

O ator Mauricio Branco confessa estar, de um ano e meio para cá, “desacelerando”. “Completei 50 anos em dezembro e senti uma coisa muito boa”, conta. “Parece que uma nuvem de fuma?a se dissipou.” Tal nitidez o fez olhar para o passado sem tirar os pés do presente. Quando come?ou a pandemia, n?o teve dúvidas: aproveitou o tempo confinado em casa para escrever sua autobiografia. Há 30 dias, colocou o ponto final em 200 páginas. “Na hora em que a ansiedade baixou, veio a ideia do livro”, explica. “Quis contar um peda?o do Rio dos anos 1980 e 1990 em relatos da minha vida e da convivência com pessoas lendárias.”

Maurício Branco Foto: Ivan Shupikov
Maurício Branco Foto: Ivan Shupikov

Ator, apresentador e documentarista, ele nasceu em Brasília e chegou ao Rio em 1988. Na cidade, logo se enturmou. “A primeira pessoa que conheci foi a Bebel (Gilberto)”, diz. No fim de uma noite tipicamente carioca, foi apresentado ao cantor Cazuza e acabou indo dormir na casa dele. “Fiquei lá durante três dias assistindo a filmes do (Fran?ois) Truffaut (diretor de cinema francês). Cazuza, ao contrário do que diziam, tinha momentos de tranquilidade e calmaria.” Já a amizade com Renato Russo mudou o curso da vida. “Era o meu melhor amigo”, define. “Renato me dava verdadeiras aulas, gostava tanto de (Arturo) Toscanini (Toscanini, maestro italiano) quanto do Menudo”, observa. “Profetizou tudo que está acontecendo agora no Brasil. Ele dizia: ‘Tenho certeza de que o fascismo e a ditadura v?o voltar e que os artistas v?o sofrer para terem o trabalho reconhecido’. Foi um visionário”, afirma. Mesmo diante de personalidades t?o intensas, Mauricio também quis trazer à tona facetas leves. “O Renato, por exemplo, era muito engra?ado, jogava tar? para os amigos”, acrescenta. “Porém, no fim da vida, ficou muito triste. A gente se distanciou, ele parou de atender o telefone. Quando morreu, em 1996, senti a mesma dor de quando meu pai faleceu”, declara.

Com Caetano Gusm?o e Renato Russo Foto: Arquivo pessoal
Com Caetano Gusm?o e Renato Russo Foto: Arquivo pessoal

A vida noturna é outro foco da publica??o. “Eu saía todas as noites. Era frequentador assíduo de locais como Crepúsculo de Cubat?o, Bar?o com Joana e Le Boy. Sinto falta, hoje, de sair e encontrar todo mundo, de lugares como o Real Astoria. No Jobi, só tinha gente conhecida”, conta. Durante a quarentena, para n?o perder o hábito, Mauricio instituiu um ritual. “Uma vez por semana, compro uma garrafa de chardonnay e dan?o a noite toda para dar uma desopilada.”

Com Eriberto Le?o Foto: Divulga??o
Com Eriberto Le?o Foto: Divulga??o

O ator, que estourou em 1992 na novela “De corpo e alma”, na pele do filho dos atores Tarcísio Meira e Betty Faria, por quem, inclusive, se apaixonou — “Quem n?o se apaixonaria por Betty Faria? Ela me ajudou muito” —, n?o é adepto de rótulos. “Eu namoro tudo, até parede. Se precisar de uma defini??o, digo que sou pansexual, que nem o Serguei.” Outra prova dessa versatilidade é o programa “Deu verde!”, elaborado por ele e pela roteirista Paula Camarino. “Despertei para a sustentabilidade em 2018. Estava no restaurante com a minha sobrinha Ana, na época, com 11 anos, e pedi um canudo. Ela achou aquilo um absurdo”, conta. “A partir daí, envolvi-me com o tema e desenvolvi a ideia da série. Gravamos um piloto sobre mobilidade urbana com o Eriberto Le?o. A cada episódio, abordarei um assunto sob essa ótica”, resume Mauricio, que confessa sentir vontade de voltar ao horário nobre. “Diretoras e autoras como Amora Mautner e Manuela Dias transformaram as novelas em obras realistas. Estou encantado por elas.”

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