Coca-Cola segue Unilever e se torna outro gigante do marketing a suspender anúncios no Facebook e no Twitter

Com queda de a??es, fortuna de Zuckerberg encolhe US$ 7,2 bi com a??o de grandes anunciantes que cobram políticas de combate a discursos de ódio
Coca-Cola: gigante dos refrigerantes altera política de publicidade nas redes Foto: Lucas Tavares / Agência O Globo
Coca-Cola: gigante dos refrigerantes altera política de publicidade nas redes Foto: Lucas Tavares / Agência O Globo

NOVA YORK e RIO — A Coca-Cola se tornou mais uma gigante do marketing mundial a suspender anúncios em redes sociais.

A multinacional de refrigerantes sediada nos Estados Unidos anunciou, na sexta-feira, que interromperá globalmente, por pelo menos 30 dias, toda a sua publicidade paga em mídias sociais, aumentando a press?o de grandes marcas sobre plataformas como o Facebook para for?á-las a suprimir conteúdos que incitem o ódio.

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Antes da decis?o da Coca-Cola, a Unilever já havia anunciado, na sexta, a suspens?es de anúncios de sua opera??o nos EUA em Facebook e Twitter até o fim do ano. Paralelamente, grandes anunciantes como Verizon e The North Face aderiram a uma campanha de suspens?o de anúncios no Facebook na esteira dos protestos antirracistas nos EUA.

Mais transparência

“N?o há espa?o para o racismo no mundo e n?o há espa?o para o racismo nas redes sociais”, disse, em comunicado, James Quincey, diretor-executivo da Coca-Cola.

“Usaremos esse tempo para reavaliar nossas políticas de publicidade e determinar se mudan?as s?o necessárias. Também esperamos maior transparência e responsabilidade de nossos parceiros de mídias sociais.”

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A Coca-Cola disse que se sua decis?o n?o faz parte de qualquer campanha coletiva, mas seu anúncio se segue ao de diversas marcas contra a ina??o das redes sociais em rela??o ao discurso de ódio em suas plataformas.

Segundo analistas, a interrup??o dos anúncios atinge o faturamento dessas plataformas, o que refor?a a cobran?a por uma postura mais assertiva e responsável delas com rela??o ao conteúdo compartilhado pelos usuários.

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A press?o cresce com a proximidade das elei??es americanas, em novembro, período que já se mostrou especialmente sensível para dissemina??o de discursos de ódio e notícias falsas nas redes.

O Facebook, especificamente, é o alvo da campanha “Stop Hate for Profit” (“Parem com o ódio em nome dos lucros”), liderada pela Liga Antidifama??o (ADL). Mais de cem empresas já anunciaram suspens?o de publicidade no Facebook .

Após o anúncio da Coca-Cola, as marcas de vestuário Levi’s e Dockers, que pertencem ao mesmo grupo, comunicaram que interromperiam sua publicidade no Facebook e no Instagram (que integra o conglomerado de Mark Zuckerberg) pelo menos até o fim de julho.

“O Facebook precisa tomar a??es para barrar a desinforma??o e o discurso de ódio em suas plataformas. Isso é uma afronta inaceitável a nossos valores”, diz nota das marcas.

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— Esse movimento é a confirma??o de que o fator econ?mico parece ser um dos mais decisivos no processo de aperfei?oamento dos mecanismos da modera??o de conteúdo pelas plataformas. Já vimos sua eficiência com o movimento “Sleeping Giants”. O “Stop Hate for Profit” é uma segunda onda — analisa Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS-Rio).

Só a Unilever pagou US$ 42 milh?es por propagandas no Facebook em 2019, segundo a consultoria Pathmatics.

A decis?o da Unilever de suspender anúncios provocou queda de 8,32% nas a??es do Facebook e de 7,4% nas do Twitter na sexta-feira. Ainda na sexta, o Facebook disse que mudaria suas práticas. Zuckerberg prometeu mudar as regras para evitar a dissemina??o de discursos de ódio, de racismo ou que incitem violência.

Fortuna de Zuckerberg encolhe

A ofensiva das empresas contra as redes sociais afetou principalmente o Facebook, cujas a??es despencaram. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, perdeu cerca de US$ 7,2 bilh?es de sua fortuna pessoal depois que uma série de empresas aderiram ao boicote.

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A queda no pre?o das a??es do Facebook reduziu em US$ 56 bilh?es o valor de mercado do Facebook, e diminuiu o patrim?nio líquido de Zuckerberg para US$ 82,3 bilh?es, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

O boicote também moveu Zuckerberg para o quarto lugar entre as maiores fortunas. Ele foi ultrapassado pelo chefe da Louis Vuitton, Bernard Arnault, que foi elevado a uma das três pessoas mais ricas do mundo, juntamente com Jeff Bezos (Amazon) e Bill Gates (Microsoft).

Veja a lista de empresas que já anunciaram restri??e a anúncios em redes sociais, particularmente o Facebook:

  • Unilever Plc
  • Coca-Cola Co.
  • Honda Motor Co.
  • Hershey Co.
  • Diageo Plc
  • PepsiCo
  • Verizon Communications Inc.
  • Levi Strauss & Co.
  • Diamond Foundry Inc.
  • Patagonia Inc.
  • Ben & Jerry’s Homemade Inc.
  • Viber
  • The North Face
  • REI
  • Upwork Inc.
  • Eileen Fisher Inc.
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