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Após crises, Bolsonaro sinaliza pacifica??o com Poderes

Presidente se queixou a interlocutores que está cansado dos confrontos com Congresso e Judiciário
O presidente Jair Bolsonaro: o diagnóstico de assessores é que as iniciativas na Justi?a levaram o chefe do Executivo a se resguardar Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS
O presidente Jair Bolsonaro: o diagnóstico de assessores é que as iniciativas na Justi?a levaram o chefe do Executivo a se resguardar Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS

BRASíLIA — Após acumular diversos atritos ao longo dos últimos meses com representantes do Judiciário e do Congresso, o presidente Jair Bolsonaro deu início a uma trégua com os Poderes, à medida em que tenta se distanciar do desgaste da pris?o do seu amigo de longa data, Fabrício Queiroz. A pelo menos dois interlocutores, Bolsonaro se queixou recentemente que está cansado dos confrontos. E afirmou que quer paz e evitar outras brigas. A mudan?a na conduta p?de ser percebida na última semana, quando a temperatura no Planalto caiu consideravelmente em rela??o às anteriores.

Segundo auxiliares do presidente, ele já preparava a??es de trégua antes de ser surpreendido pela opera??o que prendeu o ex-assessor de Flávio Bolsonaro na casa do advogado Frederick Wassef em Atibaia (SP), no último dia 18, no inquérito que apura supostas “rachadinhas” na Alerj.

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Na véspera, por exemplo, Bolsonaro havia batido o martelo pela demiss?o do ministro da Educa??o, Abraham Weintraub, malvisto tanto no Legislativo quanto no Supremo Tribunal Federal (STF), onde é investigado no inquérito das fake news. Dias antes, anunciou o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) como novo ministro das Comunica??es, em uma tacada que agradou a gregos e troianos em Brasília.

Na última quinta-feira, o presidente substituiu Weintraub pelo oficial da reserva da Marinha e professor Carlos Alberto Decotelli, uma vitória da chamada “ala militar”. Na sua primeira entrevista, ao GLOBO, o novo ministro disse que pretende fazer gest?o pautada no diálogo, técnica e sem espa?o para polêmicas relacionadas à ideologia. A escolha foi elogiada até por parlamentares de oposi??o.

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No Planalto, o diagnóstico de assessores é que as iniciativas na Justi?a ajudaram Bolsonaro a finalmente entender a importancia de se resguardar. Resta, no entanto, a dúvida se este será um período pontual de apaziguamento ou uma corre??o no rumo da sua atua??o na Presidência.

Ao mesmo tempo, governistas preferem defender a tese de que os outros Poderes “provocaram”. Citam como exemplo a quantidade de vetos derrubados e de medidas provisórias n?o votadas. Congressistas lembram, no entanto, que tanto os vetos anulados como a decis?o de deixar uma MP caducar para perder a eficácia est?o dentro do ambito do poder constitucional atribuído ao Parlamento.

Os subordinados do presidente também reclamam da atua??o do STF, e citam como exemplo a decis?o do ministro Alexandre de Moraes de barrar a indica??o de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal. Antes de Moraes, o ministro Gilmar Mendes já tinha concedido liminar, na gest?o de Dilma Rousseff, impedindo a nomea??o do ex-presidente Lula para a Casa Civil.

Papel das For?as Armadas

Na última quinta-feira, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, indicou querer desfazer outro ponto de tens?o: as reiteradas declara??es de integrantes do governo sobre um suposto papel moderador dos militares para conter crises institucionais, que n?o está previsto na Constitui??o. Azevedo declarou que os militares n?o s?o “um ente político” e seguem o texto constitucional de 1988.

— N?o nos metemos em nada além do artigo 142 (da Constitui??o), e do artigo 2o que determina que os Poderes têm que ser harm?nicos, independentes.

Azevedo mantém boa rela??o com os ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes, que entrou em rota de colis?o com o Planalto, e foi assessor do presidente da Corte, Dias Toffoli.

Também na quinta, o presidente abriu sua transmiss?o ao vivo semanal em uma de suas redes sociais com uma homenagem aos mortos pela Covid-19. O presidente da Embratur, Gilson Machado, tocou “Ave Maria” na sanfona. Desde o início da pandemia, Bolsonaro já disse que n?o era coveiro para contar vítimas, chamou a doen?a de “gripezinha” e que lamentava as mortes, mas que esse “é o destino de todo mundo”.

Mudan?a de tom no governo

1. Ao som da sanfona, a primeira homenagem a mortos da pandemia

O presidente Jair Bolsonaro abriu transmiss?o nas redes sociais, na última quinta-feira, prestando homenagem às vítimas da Covid-19 no Brasil. Ele pediu para o presidente da Embratur, Gilson Machado, tocar na sanfona “Ave Maria”. Foi a primeira vez que ele fez ato em lembran?a dos mortos.

2. Agradecimento à harmonia dos Poderes ao lado de Dias Toffoli

No mesmo dia, ao lado do presidente do Supremo, Dias Toffoli, Bolsonaro agradeceu pela “harmonia” entre os Poderes. Em evento no Planalto, o presidente disse que “esse entendimento, essa coopera??o, bem revela o momento em que vivemos aqui no Brasil”. E pregou “dias melhores”.

3. Ministro da Defesa: ‘For?as Armadas n?o s?o ente político’

Em entrevista, também na quinta, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse que “as For?as Armadas seguem a Constitui??o Federal de 1988” e que “n?o s?o ente político”: “Se existe alguém que cumpriu fielmente o regramento jurídico e democrático foram as For?as Armadas”.

4. Ministros tentam reaproxima??o de Bolsonaro com STF

A tentativa de distensionamento passa por retomar rela??es com o Supremo. Ministros de Bolsonaro que têm boa interlocu??o com a Corte, como André Mendon?a (Justi?a), têm liderado a iniciativa. Já criticado por Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes foi um dos visitados.

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